O que é o crowdlending
O crowdlending permite aos investidores de retalho financiar empréstimos a consumidores, empresas ou promotores imobiliários e receber juros. Veja como funciona na prática, quanto rende e em que se distingue de um depósito bancário.
O crowdlending é uma forma de investidores comuns emprestarem dinheiro a um mutuário — um consumidor, uma pequena empresa, um promotor imobiliário — e receberem juros em troca. Em vez de um banco financiar o empréstimo todo a partir do seu balanço, são centenas de pessoas que financiam pequenas fatias dele através de uma plataforma online.
A mecânica é simples. O mutuário candidata-se na plataforma. A plataforma analisa-o, preça o crédito e publica-o. O investidor consulta os empréstimos, escolhe quanto investir em cada um (muitas vezes a partir de 10€) e recebe reembolsos mensais de capital mais juros até ao vencimento. Em caso de incumprimento, a plataforma — ou um parceiro — conduz o processo de cobrança.
Em que difere o crowdlending de um depósito bancário
A diferença central está no risco e na rentabilidade. Um depósito em euros num banco regulado está coberto pelo fundo de garantia de depósitos europeu até 100.000€ por instituição e por pessoa. O crowdlending não está. Em troca de assumir esse risco, é habitual ganhar mais — as rentabilidades anunciadas situam-se tipicamente entre 6% e 14%, consoante o segmento, face aos 2–4% atualmente disponíveis em poupanças com acesso imediato.
A segunda diferença é estrutural. Um banco agrega o seu depósito ao de todos os outros e empresta um total; a sua relação é com o banco. No crowdlending o investidor tem, em geral, um direito direto ou quase direto sobre cada empréstimo, o que significa que os seus retornos e perdas seguem o desempenho real dos créditos que escolheu — e não o desempenho global da carteira do banco.
Em que difere o crowdlending do crowdfunding
O crowdfunding é o termo genérico. O crowdlending é a variante de dívida — em que se recebe juros. As outras variantes são o crowdfunding de capital (recebe ações de uma empresa), o crowdfunding de recompensa (recebe um produto ou um benefício) e o crowdfunding de donativo (em que dá e nada espera receber). Para uma comparação lado a lado, veja o nosso guia de terminologia.
O que os investidores realmente ganham
A taxa anunciada e a rentabilidade líquida são dois números diferentes. A taxa anunciada é o cupão do empréstimo. A rentabilidade líquida é o que sobra depois de comissões da plataforma, incumprimentos e recuperações, conversão cambial e impostos. Um crédito ao consumo a 12% bruto num marketplace báltico, com hipóteses realistas de incumprimento e recuperação, entrega muitas vezes 7–9% líquidos ao investidor — continua a ser atrativo, mas não é o número da brochura.
A forma mais limpa de avaliar a rentabilidade real de uma plataforma é olhar para a taxa interna de rentabilidade de carteiras fechadas ao longo de vários anos. Algumas plataformas publicam-na; a maioria publica apenas o bruto anunciado. A análise da TopLending de cada plataforma indica quais.
Quem se financia em plataformas de crowdlending
- Consumidores — crédito pessoal, crédito no ponto de venda, pequenas linhas de crédito. Taxas mais elevadas, risco de incumprimento mais alto, habitualmente amortecidos por garantias de recompra do originador.
- PME — fundo de maneio, financiamento de faturas, créditos de crescimento. Taxas intermédias, estrutura mista (alguns com garantia, outros sem).
- Promotores imobiliários — empréstimos-ponte, reabilitações, construções de raiz. Habitualmente com garantia sobre o imóvel, através de uma hipoteca de primeiro grau. Ver plataformas de crowdfunding imobiliário.
- Operadores de energia verde — solar, eólica, biomassa. Operações de prazo mais longo, taxas mais baixas, suportadas por cash flow.
Como começar
Três pontos práticos separam um arranque sensato de um arranque caro. Primeiro, diversifique de forma agressiva — pelo menos 50 empréstimos, por vários originadores ou projetos, idealmente por mais do que uma plataforma. Segundo, configure o auto-invest para que o capital novo e os reembolsos não fiquem parados. Terceiro, comece com um montante suficientemente baixo para que perder a totalidade não mude a sua vida financeira — passar por um ciclo de incumprimentos é a única forma de descobrir qual a sua verdadeira tolerância ao risco.
Onde se enquadra o crowdlending numa carteira
O crowdlending fica entre a liquidez e as ações na escala de risco. Não substitui um depósito — falta o fundo de garantia e a falência de um grande originador pode eliminar uma fatia material do capital. Também não é equity — o potencial está limitado ao cupão. O seu papel razoável é o de uma componente de rendimento dentro de uma carteira diversificada, dimensionada de modo a que um evento de capital de 30–50% no segmento seja desconfortável, mas não catastrófico.